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DISLEXIA E DISLEXIA ADQUIRIDA: NEM TUDO QUE SE DIVULGA É CORRETO! INFORME-SE!


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Em quase 40 anos de pesquisas e publicações sobre Dislexia e Dislexia Adquirida, Lou de Olivier tem se dedicado a elucidar os diversos equívocos que são publicados por profissionais mal preparados. Este escrito, meio artigo meio crônica, aborda as diversas informações incorretas que foram recentemente divulgadas em rede nacional…

Há meses um programa de TV entrevistou supostos especialistas abordando Dislexia. Isso continua repercutindo de forma negativa pelos diversos equívocos que divulgaram, Por isso esclareço:

Como sempre, citaram “Dislexia Adquirida” (que o Médico nem soube pronunciar direito) sem citar minhas pesquisas e pioneirismo, aliás se houvesse de fato intenção de abordar o tema com seriedade eu seria a pessoa correta para estar neste debate mas isso foi só o começo. O Médico citou fatores que podem causar Dislexia Adquirida mas omitiu o principal que é anoxia perinatal/hipoxia neonatal que eu publiquei oficialmente em 1996 o TCC que fiz sobre o tema. Em 1998 diversos sites de Saúde e/ou Educação e também meu Portal publicaram esta pesquisa na íntegra, onde se comprova a aquisição de distúrbios, especificamente Dislexia e Disgrafia, por anoxia. Lamentável que este Médico desconheça (ou omita) esta questão tão importante.

Ainda sobre Dislexia citaram a maior incidência em meninos, por um excesso de testosterona da mãe durante a gestação o que já ha tempos se descartou. Na verdade esta linha de raciocínio iniciou-se em 1982 com a publicação “The testosterone hypothesis: Assessment since Geschwind and Behan” – Albert M Galaburda (Annals of Dyslexia – January 1990 Volume 40, Issue 1,pp 18-38)

O resumo desta publicação é o seguinte: “A hipótese de Geschwind propõe uma interação causal entre imparcialidade não-direita, doenças imunológicas, e deficiência, inclusive dislexia, através da ação intra-uterina do hormônio masculino testosterona. Alguns estudos epidemiológicos têm apoiado, pelo menos, uma associação estatística entre os três traços; outros não têm. As associações entre distúrbios de aprendizagem e doença imune e entre os transtornos de aprendizagem e lateralidade direita não parecem ser melhor apoiado do que entre doenças imunológicas e imparcialidade não-direita. No entanto, nenhum dos dados acumulados até ao momento são conclusivos, porque não é claro que as amostras estudadas foram verdadeiramente representativa.

A evidência neuropatolgica, tanto em estudos de AUTÓPSIA em disléxicos humanos e em MODELOS ANIMAIS de anormalidades corticais de desenvolvimento, são coerentes, mas não um diagnóstico de patologia imunológica. Mecanismos são discutidos por que um sistema imunitário anormal poderia, assim, ferir o cérebro em desenvolvimento, com ênfase nas interações materno-fetais anormais, incluindo doença auto-imune materno e incompatibilidade materno-fetal. Uma origem genética também possível em que o papel materno é menos significativo”.

O que precisa ser muito frisado e entendido é que, além do próprio autor citar que não havia nenhum dado conclusivo e considerar o fator genético isentando as características da mãe, estes estudos americanos foram feitos em AUTÓPSIAS em humanos disléxicos e em ANIMAIS e, além da crueldade a que se expunham animais que sequer tem o mesmo organismo e reações humanas, as pesquisas “mais avançadas” neste época (1982) eram feitas em cerebros de disléxicos MORTOS… Enquanto isso, países como a Alemanha já estudavam casos de pacientes VIVOS e, por mais que alguns retrógrados relutem em aceitar, uma BRASILEIRA, desmemoriada e dependendo de amigos para ler e entender o tema já despontava com a descoberta da Dislexia Adquirida.

Continuando, esta teoria do excesso de testosterona seguiu até que, em 2007, outro estudo “No relation between 2D : 4D fetal testosterone marker and dyslexia” – Boets, Barta b; De Smedt, Berta; Wouters, Janb; Lemay, Katriena; Ghesquière, Pola (Neuroreport: 17 September 2007 – Volume 18 – Issue 14 – pp 1487-1491) publicou o seguinte: “Tem sido sugerido que os níveis elevados de exposição pré-natal a testosterona estão implicados na etiologia da dislexia e seus frequentes problemas sensoriais. Este estudo examinou 2D: 4D relação dígitos (um marcador de exposição à testosterona fetal) em crianças disléxicas e normais de leitura. Foram observadas 4D: há diferenças entre os grupos em 2D. Mas não mostraram a relação postulada com leitura, escrita, habilidade fonológica, a percepção da fala, processamento auditivo e processamento visual. Estes resultados desafiam a validade das teorias que atribuem um papel proeminente à exposição à testosterona fetal na etiologia da dislexia e suas deficiências sensoriais.

Como se comprova, esta teoria foi rebatida em 2007 mas, infelizmente, a emissora que pretende impor a imagem de maior audiência do país ainda traz ao público em 2015 um desavisado Medico citando a obsoleta teoria como se fosse atual …

Diversos outros equívocos foram divulgados durante este debate nesta emissora porém o espaço disponível para este artigo não comporta o relato na íntegra. Convido-os à leitura deste artigo completo acessando este link:http://www.dislexiaadquirida.loudeolivier.com/Dislexia-e-Dislexia-Adquirida–Informe-se%21.php

 

Vem ai: “Dislexia sem Rodeios” Aguarde

Aproveito para agradecer a oportunidade que sempre tive (e tenho) de esclarecer este e outros temas importantes de forma aberta e verdadeira em diversos veículos de comunicação desde 1995, destacando-se as rádios Mundial, Record, Arandú (interior), Moarandu (capital), as emissoras de TV Record, RITTV, NGT, OrkutTV (web), as revistas como Mãe Moderna, Psique Ciência e Vida, Sentidos, UK Brazil (Inglaterra), os jornais Intersul SP, Sunday News (São Paulo-New York) e atualmente os portais como Dino, R7, The São Paulo Times e muitos outros (impossível citar a todos) mas, a todos que me publicam, meu sincero agradecimento pela oportunidade e parabéns por proporcionarem ao seu público uma leitura de alto nível e credibilidade.


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Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista e teólogo. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais. Ator e autor de teatro. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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