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Grupo no AP usa aplicativos para a inclusão de cegos nas redes sociais


Tecnologia auxilia deficientes a postarem conteúdos na internet. Orientação é feita pelo grupo Inclusão no Meio do Mundo, em Macapá.

Aplicativos para celulares, tablets e computadores viraram ferramenta nas mãos do grupo Inclusão no Meio do Mundo, que ajuda deficientes visuais a terem acesso às redes sociais. O grupo amapaense é formado por três cegos e utiliza a tecnologia em favor de quem precisa de atenção especial.

Uma das criadoras do grupo, a socióloga Kérsia Celimory, disse que o grupo foi formado em abril de 2016 e já ajudou cinco pessoas em Macapá a utilizarem aparelhos celulares e computadores por meio de aplicativos que contribuem para o manuseio.

“Essa tecnologia existe nos telefones que têm o sistema Android, e, com isso, usamos a ferramenta para orientar as pessoas com deficiência visual a mexerem no próprio celular ou computador, com ensinamento na prática”, explicou Kérsia.

Socióloga Kérsia Celimory, cega, inclusão, meio do mundo, macapá, amapá (Foto: Estevam Eliel/G1)
Socióloga Kérsia Celimory
(Foto: Estevam Eliel/G1)

Segundo ela, três aplicativos são usados nas orientações, sendo dois para computadores e um para smartphone. Todos podem ser acessados de forma gratuita.

“Para o computador, temos o NVDA e o DOS VOX, que são leitores de tela e ambos vão pronunciando o que está sendo exibido quando se digita no teclado. No celular usamos uma ferramenta chamada Talkback, quem vem em qualquer aparelho Android, e que realiza as mesmas funções dos aplicativos utilizados no computador”, explicou.

De acordo com Kérsia, a média de aprendizagem de cada aluno dura em torno de uma semana. Ele aprendem a postar conteúdos nas redes sociais, ter acesso às informações e conhecer objetos por meio de narrações.

“Comparo como se fosse uma pessoa idosa que está entrando agora na tecnologia dos smartphones. A inclusão digital de pessoas deficientes visuais é algo fundamental para minimizar as desigualdades sociais que ainda existem em nossa sociedade”, ressaltou.

Redes sociais, deficientes visuais, Amapá (Foto: Reprodução)
Média de aprendizagem de cada aluno dura em torno de uma semana (Foto: Reprodução/G1)

Segundo ela, a maior dificuldade encontrada pelos deficientes visuais na utilização do smartphone é a tela digital, em que o usuário realiza uma espécie de mapeamento no telefone, organizando cada ícone de forma que saiba onde encontrar cada um.

O estudante Isac Ribeiro, de 22 anos, diz que hoje em dia consegue se manter informado pelo celular, mesmo sendo cego desde os 3 meses de vida, quando foi diagnosticado com glaucoma.

Com a orientação que recebeu do grupo, ele disse que acessa diariamente as contas na rede social Facebook, no aplicativo de mensagens Whatsapp e outras redes sociais.

“Agora tenho bastante habilidade e posto conteúdos quase todos os dias. Aprendi em pouco mais de uma semana a manusear. No início, quando adquiri o meu celular, não conseguia mexer em nada. Por mais tecnologia que tivesse, não conseguia chegar a um aplicativo de maneira acessível e fácil”, disse.

De acordo com Carlos Manulo, outro fundador do grupo, o ensinamento para o uso dos aplicativos ocorre pela própria internet ou telefone. Basta o interessado entrar em contato com o grupo por meio da página no Facebook ou pelo Whatsapp. Caso seja necessário, o usuário recebe uma visita do grupo, que ensina pessoalmente o acesso aos aplicativos.

“Isso depende da necessidade de cada usuário, sempre buscamos que ele pratique no próprio celular ou computador. Mas caso haja muita dificuldade, então agendamos uma visita para ensinar pessoalmente o manuseio”, disse.

O movimento de Inclusão no Meio do Mundo não tem sede física em Macapá, e todas as campanhas são divulgadas nas redes sociais e nos meios de comunicação. O grupo funciona sem nenhum tipo de apoio de órgãos públicos.

“Nós estamos por conta própria, mas quem quiser aderir à causa, sendo pessoas deficientes ou não, será sempre bem vinda, seja na nossa página do movimento no Facebook, ou no Whatsapp através do número 99152-4701 “, disse a socióloga.

Redes sociais, deficientes visuais, Amapá (Foto: Reprodução)
Dicas de usos de aplicativos são feitas pela própria internet ou telefone (Foto: Reprodução)

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Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista e teólogo. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais. Ator e autor de teatro. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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