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Inclusão Social: Afinal, o que é?


inclusao_socialDe repente, este assunto tomou forma e espaço na sociedade. Até mesmo, várias propagandas na televisão são veiculadas, falando sobre essa tal de equiparação de igualdades como tema do milênio. Mas afinal, vamos entender o que é inclusão social, pois sempre que se começar algo novo, nada melhor do que também se começar com conceitos novos.

Historicamente, as pessoas com algum tipo de deficiências ficaram por muito tempo escondidos do convívio social. Até que algumas décadas atrás, nasceu o conceito de integração social. Surgiram por exemplo, entidades, centros de reabilitação, clubes sociais especiais, associações desportivas, todas dedicadas a essas pessoas com deficiências. A intenção principal, era preparar essas pessoas para ingressar e conviver em sociedade com todos nós.

Só que nos últimos trinta anos, um novo conceito surgiu: a inclusão social. Antes pessoas com deficiências eram habilitadas ou reabilitadas para fazer todas as coisas que as demais e, através da integração social, passavam a conviver com em sociedade. Agora, na inclusão social, as iniciativas são da sociedade que passou a se preparar, criando caminhos e permitindo que eles venham conviver com todos.

Por este motivo, cada vez mais estamos vendo crianças e pessoas com necessidades especiais em nossas escolas, nos lazeres e em todos os lugares da vida diária. E devemos estar preparados para essa convivência, aceitando as diferenças e a individualidade de cada pessoa, uma vez que o conceito de inclusão mantém este lema: Todas as pessoas têm o mesmo valor.

Inclusão Social, um tema já explorado em várias partes do mundo, tendo ampla preocupação internacional, que explicitado pela primeira vez em 1990 pela Resolução 45/91, da Assembléia Geral das Nações Unidas, a cerca de cinco anos começou a chamar a atenção aqui no Brasil.

Formada de uma resolução e regras bem definidas de uma sociedade para todos, consiste da diversidade da raça humana, estando estruturada para atender às necessidades de cada cidadão, das maiorias às minorias, dos privilegiados aos marginalizados. Neste contexto estão incluídos crianças, jovens e adultos com deficiência, os quais serão naturalmente incorporados à sociedade inclusiva, e onde todas trabalharão juntas, com papéis diferenciados, dividindo iguais responsabilidades por mudanças desejadas para atingir o bem comum.

Segundo Cláudia Werneck (no livro “Ninguém vai ser bonzinho na sociedade inclusiva”, 1997), na sociedade inclusiva não há lugar para atitudes como “abrir espaço para o deficiente” ou “aceitá-lo”, num gesto de solidariedade, e depois bater no “peito ou mesmo ir dormir com a sensação de ter sido muito bonzinho” (…) “Ao contrário. Somos apenas – e isto é o suficiente – cidadãos responsáveis pela qualidade de vida do nosso semelhante, por mais diferente que ele seja ou nos pareça ser. Inclusão é, primordialmente, uma questão de ética”.

Tudo consiste no processo pela qual a sociedade se adapta para poder incluir em seu contexto as pessoas com necessidades especiais. Mas, por outro lado, essas mesmas pessoas precisam ser preparadas para assumir seus papéis na sociedade. Será uma forma de parceria entre ambas – sociedade e pessoas especiais -, visando equacionar problemas, decidindo sobre soluções, efetuando equiparações para todos.

Na prática, a inclusão social têm como princípios básicos incomuns, sendo; a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivências dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação. O que talvez possa parecer uma utopia, poderá ser na realidade a construção de um novo tipo de sociedade, mediante a transformações pequenas ou grandes, dos meios físicos (através de adaptações), ou das mentalidades (através de conscientização da população).

Em várias partes do mundo, relata Romeu Sassaki (no livro “Inclusão – Construindo uma sociedade para todos”, 1997), “já é realidade a prática da inclusão, sendo que as primeiras tentativas começaram há cerca de 10 anos. O processo de inclusão vem sendo aplicado em cada sistema social. Assim, existe a inclusão na educação, na saúde, na assistência, no lazer, no transporte, etc. Quando isso acontece, podemos falar em educação inclusiva, na saúde inclusiva, na assistência inclusiva, no lazer inclusivo, no transporte inclusivo e assim por diante. Uma outra forma de referência consiste em dizermos, por exemplo, educação para todos, lazer para todos, transporte para todos”.


Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista e teólogo. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais. Ator e autor de teatro. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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