ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Professora Sarita Araújo: As possibilidades e conquistas musicais das pessoas surdas


OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

EDUCADORES INCLUÍDOS: Queridos Leitores, esta é uma série de matérias inéditas em nosso blog. Quando falamos de Educação Inclusiva, falamos de alunos com necessidades educacionais especiais que estão em fase de inclusão escolar. Mas eu quero mostrar outro lado não percebido. Há professores, diretores, pedagogos e profissionais com algum tipo de deficiência, atuando em escolas e universidades e que dão grandes contribuímos, enriquecendo ainda mais a educação brasileira. E são as histórias deles esta que estamos conhecendo na série Educadores Incluídos”!

Neste terceiro relato, hoje converso com a minha amiga Professora Sarita Araújo, pianista e professora de música. Sua história é rica em detalhes de como alguém, mesmo com deficiência auditiva, pode ter um pleno desenvolvimento musical. E a história de Sarita vai muito mais além. Professora em conservatórios desde sempre, hoje ela é mestranda em música e responsável por projetos que incluem tantas outras pessoas surdas no mundo musical.

 Como originou a sua deficiência e como foi aprender a lidar com ela?

Nasci  no dia 28 de fevereiro de 1964  na cidade de Quirinópolis- GO,  que fica 288,9 Km  na capital Goiânia. Nesta época, filha de costureira Magaly Maria Magalhães de Araujo e contador comercial.  Fui uma criança saudável e falante até aos 8 meses de vida, e a partir daí, houve a minha mudança de comportamento repentina que passou a ser criança nervosa, agitada e sem se comunicar. Neste tempo, meus pais ficaram preocupados com o fato, percebeu por não ser normal. Porém, como moravam no interior, com poucos recursos médicos, somente após algum tempo resolveram me levar para cidade de Uberlândia-MG, onde o médico depois de examinar, diagnosticou que o fato era normal e fui medicada com calmante Tranquilex, que provocava muito sono, o que me fazia dormir e me acalmar. Inconformados, meus pais me levaram para outra cidade desta vez Uberaba-MG, onde deu o diagnóstico anterior o mesmo confirmado.

Aos 3 anos de idade, meus pais me levaram ao médico especializado em São Paulo e ele solicitou um exame de cultura, e com isso constatou toxoplasmose adquirida através no convívio de animais domésticos e chegou à conclusão de que eu tinha a perda de audição em consequência dessa enfermidade, o que justificava meu nervosismo e agitação. Em seguida fiz audiometria o que resultou a minha surdez bilateral com perda moderada à severa. Com estes resultados, deixaram meus pais preocupados, pois não sabiam como lidar esta situação,  mas aos poucos foi aceitando da minha condição de surdez, juntando com o meu irmão caçula que era meu companheiro de conversar “fazendo mímica” e brincar como qualquer outra criança.

Aos 5 anos, sofri acidente automobilístico junto com a minha mãe e com mais 2 adultos sendo que um deles veio a falecer. No hospital ao ver minha mãe na cama e ferida, fiquei assustada, balbuciei pela primeira vez a palavra “mamãe” que foi uma felicidade ao ver que o problema estava amenizando por não ser muda.

Em busca de uma vida melhor, estava com 6 anos de idade, minha família se transferiu para cidade de Uberlândia. Meu pai passou a ser vendedor de materiais de escritório e estudava curso de Direito e minha mãe ficou tomando conta eu e meu irmão.

Eu com 7 anos de idade e meu irmão com 6 anos o que na época não permitia esta idade para ingressar pré-primário na escola particular, mas abriu uma  exceção para ele estudar junto comigo, pois me ajudava a se comunicar através da mímica com a professora e colegas. Vale lembrar que nesta época não se falava nada acessibilidade, inclusão, atendimento educacional especializado em Libras como acontece atualmente na escola pública e particular.

Com a formatura do curso de  Direito, meu pai se tornou advogado, e aos poucos, a vida começou a melhorar financeiramente e permitiu para comprar meu primeiro aparelho auditivo. Lembro que o modelo era muito “feio”, era uma caixa como se fosse um rádio transmissor pendurado no peito, com dois fios levados até os ouvidos, e levou-me, à principio, a uma rejeição, mas com paciência e muita dedicação dos meus pais, comecei a perceber o quanto era bom ouvir ao meu redor e poder me comunicar com as pessoas. Com isso aprendi com ajuda da minha mãe aos poucos a falar, mas com dificuldades, pois nesta época não tinha recursos para um atendimento de fonoaudiólogo. Eu não pronunciava corretamente, trocava de letra P com B, T com D, F com V, etc. isso acontece casualmente até hoje. Sofri Bullying por parte das colegas na escola por causa da minha fala de português incorreta e o aparelho auditivo exposto e com isso fiquei muito retraída, mas com ajuda do meu irmão sempre ficou do meu lado me protegendo deste do pré-primário até 3º colegial, somente separamos no vestibular, ele passou para o curso de Direito e eu fui para curso de Música, ambos na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

215781_107323686017907_7669783_n

Da minha juventude, tive poucos amigos, não gostava de sair para curtir a noitada, sempre dedicava à escola e ao Conservatório de Música. O mais relevante dessa época, é que não me sentia bem de usar o aparelho auditivo que era exposto, preferi usar uma prótese auditiva retroauricular, que colocava apenas atrás da orelha e com isso escondia este aparelho com cabelo solto sem que ninguém percebesse que era surda. Mas a minha característica de surdez não disfarçou bem, pois a dicção da minha fala tinha um sotaque diferente, quando alguém que não me conhecia, perguntava se eu era estrangeira, e para não dar muitos detalhes confirmava que era uma espanhola kkkkk…. Pasma… Tinha vergonha de ser surda, queria ser igual uma ouvinte e perfeita.

Já adulta, lembro-me que viajei junto com a minha amiga do conservatório para Londrina para participar curso de Inverno de Música e que não esqueço nunca mais sobre este encontro, por que esta minha amiga abriu meus olhos, dizendo que devo aceitar da minha condição de surdez, pois é com ela que vou viver pelo resto da minha vida, assim as pessoas vão me tratar com mais respeito…. e foi assim…. chorei muito, encarei-me aceitando aos poucos por ser surda, amarrei o meu cabelo longo com rabo de cavalo e percebi que a reação das pessoas que me encaravam normal e sem perguntas.

Lembro-me que tinha muitas dificuldades na aula de português, principalmente no ditado com pequenas palavras, sempre arrumava desculpa com a professora por estar com dor de barriga e escapava para o banheiro e ficava horas escondida e em seguida voltei para sala de aula, o ditado já tinha terminado. E também fui criticada pela professora de português ao ler a minha redação perante os colegas, ela simplesmente diz assim: esta sua redação vai para o lixo e amassou o papel e jogou na cesta. Senti muito humilhada e tive bloqueio de escrever por um bom tempo, somente animei a escrever com incentivo do meu pai que sempre me deu suporte nas tarefas portuguesas. Com esta consequência não passava vestibular por causa da redação, prestei cinco vezes, até que o último tema foi sugerido MÚSICA que me permitiu a minha aprovação para Curso superior em Música.

 

O que levou a ser professora e como foi a sua formação?

Já estudando curso de Música na Universidade Federal de Uberlândia,  chamaram-me para fazer a substituição de uma professora de piano no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli, que tirou a licença maternidade.  Comecei a trabalhar bem jovem já com 18 anos de idade, adorei ter experiência em dar aulas de piano e foi aí que descobri que o meu dom era ensinar músicas para crianças e adolescentes.

Além de ser professora de música, tive outra experiência, conclui o curso de espanhol, para mim o grande desafio era dar aula de espanhol nos conteúdos de Música. Tudo aconteceu no meu casamento em 1998. Fui transferida de mudança junto com o marido para Bolívia, na cidade de Santa Cruz de La Sierra, E lá trabalhei na Universidad Catolica Boliviana, dando classes de Teclado (Organo em espanhol) e também na Universidad Evangelica Boliviana, dando classes de Piano, Canto Coral, História da Música e Rítmica. Ficamos durante 3 anos e tivemos que retornar ao Brasil no ano 2000 com a consequência  do falecimento do meu pai, para cuidar a minha mãe.  Voltei a trabalhar no Conservatório Estadual de Música de Uberlândia, dando classes de teclado e órgão eletrônico, onde permaneço até hoje.

Em 2001, nasceu um projeto O Surdo: Caminho para Educação Musical sob da minha responsabilidade. Esse projeto envolveu os diferentes segmentos de ensino-aprendizagem na Educação Musical para alunos com Surdez, como também na área acadêmica para abrir caminhos para uma reflexão de práticas inclusivas e ambientes socioeducacionais para surdos. O mais importante deste projeto ainda é a qualificação profissional do aluno surdo na área específica da performance musical do instrumento escolhido por ele com o processo educacional e proporcionar a sua formação técnica para o mercado de trabalho. Com relação a formatura no curso Técnico de instrumento no ano 2014, concluiu o primeiro aluno surdo deste projeto, Levy Costa Ferreira no curso de Técnico de Teclado. Veja a foto abaixo:

banda surdos

 

A Banda Ab’Surdos é um projeto do Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli na cidade de Uberlândia-MG, que está vinculado a outro projeto que é O Surdo: Caminho para Educação Musical, iniciado no ano de 2002, sob minha  responsabilidade. A banda vem com caráter de inclusão, feito por percussão e harmonia, onde 12 Surdos e 4 ouvintes que interagem harmonicamente, formadas de adolescentes e adultos surdos e deficientes auditivos. Conta com apoio de dois intérpretes de Libras. Já lançou os dois DVD (2010 e 2014), sendo que a última com músicas inéditas compostas pelo grupo.

Com o tempo o número de alunos foi crescendo e atualmente temos na instituição 25 alunos com surdez dos mais variados níveis, de moderada à profunda e severa e uma aluna surda com implante coclear. Esses alunos hoje estão incluídos em salas de aulas comuns, e também possuem professores das mais diferenciadas disciplinas, tais como, Desenho, Teclado, Bateria, Violão, Sax, Guitarra, Musicalização, Multimeios e Prática de Conjunto, por participarem ativamente da grade curricular comum a qualquer aluno da escola.

 

Devido à grande repercussão do projeto O Surdo: Caminho para Educação Musical, os membros integrantes são frequentemente convidados para apresentações culturais e motivacionais. O Conservatório de Uberlândia tornou-se um celeiro de pesquisas acadêmicas, pois professores de outros estados vêm à procura de metodologia e didática aplicada música para Surdos.

Quanto à minha formação musical, comecei a estudar piano aos 8 anos de idade no Conservatório de Música de Uberlândia, Inicialmente, fui rejeitada por uma professora de piano por ser surda, mas reconheço hoje que ela não teve culpa, pois não estava preparada para receber uma aluna que não pode ouvir som, mas por outro lado fui abençoada por uma outra professora que viu esta situação constrangedora, aceitou-me e acolheu como aluna, e agradeço a ela, por ser uma profissional bem-sucedida e reconhecida  no meio musical.

apresentação

Minha trajetória profissional começou no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli, concluindo o curso de técnico instrumental de piano, teclado e órgão eletrônico. No curso superior, conclui curso de graduação em Educação Artística com Habilitação em Música: Piano. Fui bem aceita ao ingressar na UFU, mas foi uma fase árdua com relação aos estudos e à dedicação ao piano. Entretanto, sempre recebi apoio dos familiares quanto à escolha da profissão. Em seguida, continuei estudando para concluir o curso de pós-graduação Lato Sensu “Especialização em Música: Piano” pela UFU e também finalizei outro curso de pós-graduação de Educação Especial pela Faculdade Católica de Uberlândia.

Atualmente estou cursando Mestrado de Artes na área de Música desenvolvendo o tema de dissertação: “A utilização de tecnologia para ampliar a experiência sonoro-vibratória de Surdos” pela UFU. E também estou aprimorando mais profissionalmente um curso de pós-graduação Docência em Libras, pela Universidade Tuiuti do Paraná e Unintese.

Quais Atividades Musicais realizadas?

Participei no Seminário de Dirección Coral no Conservatório de Música Madre Vicenta Uboldi (1998) e VII Festival Nacional de Coros Estudantiles como jurada (1999), ambos em Santa Cruz de La Sierra – Bolívia. Com o retorno ao Brasil, participei o curso de aperfeiçoamento X Encontro anual da ABEM de Musicoterapia e Educação Musical Especial (2002); Conclui o curso de Capacitação de Professores em Educação Especial na área específica de Deficiência Intelectual e Auditiva (2002); Participei a 1ª  amostra de Artes Especiais do Triângulo Mineiro (2002); 1º Congresso da Educação dos Surdos da Asul de Uberlândia (2003). Atuei como Palestrante no Acampamento dos Surdos do Ephatá em Belo Horizonte (2003); Participante no 1º Encontro Luso-Brasileiro dos jovens músicos surdos na cidade de Guarda em Portugal (2003); Participante da comunicação oral no XII Encontro Anual da ABEM na cidade do Rio de Janeiro (2004) e coordenadora do evento de 1º e 2º Seminário Nacional de Musicalização na área de Surdez e 1º Encontro de arte e cultura inclusiva em Uberlândia (2004 e 2006); Ministrante da oficina de Educação Musical para deficientes auditivos na UnB (Universidade de Brasília-2007) e palestrante de turismo para surdos promovido pelo Instituto muito especial (RJ) sediado em Recife-2008. Fiz parte do projeto Novos Rumos, do Instituto Muito Especial (A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP), sediada no Rio de Janeiro, um grupo de pessoas com variados tipos de deficiência viaja o Brasil mapeando avanços e problemas no turismo acessível. Fui oficineira de Educação musical para Surdos nos encontros dos Conservatórios de Música de Minas Gerais: Varginha, Montes Claros e Uberaba. Vencedora do Prêmio Sentidos, 4ª edição/ 2011, na categoria Gente como a gente. No ano 2014, participei como mestranda na comunicação oral da Associação Regional Sudeste da ABEM em Vitória-ES e SIMPOM na capital do Rio de Janeiro-RJ.

388794_319072591437766_126427864_n

 

Como desenvolveu sua paixão pela música?

Aconteceu em dois momentos: No primeiro momento, foi maravilhoso, pois vi pela primeira vez o instrumento piano na casa da minha prima, e ela tocando a música Lec Lac de Come com aquele som que me chamava muita atenção, pois encostei o meu corpo na madeira do instrumento e senti aquela vibração gostosa, foi aí nasceu amor à primeira vista pela música. No segundo momento, vi a novela Escrava Isaura, personagem interpretada por Lucélia Santos, tocando piano e eu fazia a imitação tocando junto com ela. E nisso, a minha mãe viu esta cena e da minha admiração e paixão pelo piano, matriculou-me no Conservatório de música de Uberlândia. Com um ano de estudo de música, ganhei uma surpresa do meu pai o meu instrumento piano, foi o momento inesquecível!!!! Sempre lembro este momento, emociono-me!

Com piano em casa me dediquei infinitamente ao estudo e sempre fazia parte das apresentações culturais no Conservatório. Fui uma aluna estudiosa e aplicada nos estudos.

Como estão sendo esses anos lecionando? Encontrou alguma dificuldade?

Retomando à trajetória que percorri na vida musical. Ao longo dessa profissão, percebi que tanto os alunos com surdez, de diversas faixas etárias, quanto os colegas de trabalho, que fazem parte no projeto Educação Musical para Surdos na escola de música de Uberlândia-MG, apresentavam dificuldades em compreender como ocorre o processo de ensino e aprendizagem musical dos surdos. Estas dificuldades ocorriam sempre na comunicação, pois alguns professores que recebiam alunos surdos na sala de aula, não eram capacitados, sentiam inseguros e deixavam a responsabilidade para a intérprete de Libras. E para amenizar esta situação, usaram o suporte do livro “Termos Musicais em Língua Brasileira de Sinais” que foi lançado no ano 2010 que era um material pedagógico para uso nas atividades de musicalização e de instrumento musical.

A Libras já faz parte do ensino de Música no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli de Uberlândia, através do livro “Termos Musicais em Língua Brasileira de Sinais” que facilita o ensino-aprendizagem na aula de música como também no instrumento. O que resultou da elaboração deste livro com eficácia, devido pela formação por uma equipe de profissionais de educadores musicais, linguistas, TILS (Tradutores/Intérpretes de Libras (doravante TILS) e alunos surdos para pesquisar os sinais já existentes como também criar outros a serem usados no ensino de música para Surdos, com isso contribuiu o surgimento da linguagem de sinais em música inédita.

Por esta razão, se faz necessário os professores terem um conhecimento básico em Libras para a qualidade no desempenho deste trabalho e para uma boa relação entre as partes. Em todo esse processo, a língua de sinais é fundamental para que o urdo possa compreender e entender a linguagem musical criada e adaptada. As adaptações buscam possibilitar que os sardos tenham acesso ás informações a que todos têm direito, permitindo também aos ouvintes a oportunidade de descobrir o mundo que cerca os surdos.

No Brasil, através da Lei 10.436 em 24 de abril de 2002, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é reconhecida como língua e é considerada a primeira língua dos Surdos, eles possuem o direito de terem aulas ministradas nela, ou ao menos com a presença de um intérprete. A Libras é uma língua visual-espacial utilizada naturalmente em comunidades surdas brasileiras, permitindo expressar sentimentos, ideias, ações e qualquer conceito e/ou significado para estabelecer interações entre sujeitos

 Em-Sociedade-1-Sarita-Ara-300x2151

Como você vê o desenvolvimento da Educação Inclusiva hoje no Brasil?

O Brasil reconheceu a Língua Brasileira de Sinais/ Libras, por meio da Lei nº 10.436/2002, como a Língua das comunidades surdas brasileiras, sendo que esta lei foi criada devido à luta pela conquista de direitos dos surdos em espaços de cidadania a exemplo de: escola, sociedade, igreja e outros que os levem a adquirir independência.

A discussão sobre a Lei de Libras é de sumária importância para a uniformização de uma sociedade democrática de direito. A grande parte das crianças surdas entra na escola sem o conhecimento da língua, sendo que a maioria delas vem de famílias ouvintes que não sabem a língua de sinais, portanto, a necessidade que a Libras seja, no contexto escolar, não só língua de instrução, mas, disciplina a ser ensinada, por isso, é imprescindível que o ensino de Libras seja incluído nas séries iniciais do ensino fundamental para que o Surdo possa adquirir uma língua e posteriormente receber informações escolares em língua de sinais.

Vejo que no processo de inclusão no âmbito escolar, deverá ser feito um trabalho de conscientização que é um trabalho essencial para a construção de uma sociedade justa e igualitária, na qual as diferenças sejam consideradas e respeitadas.

Mensagem final

Resumindo a história de minha vida, eu, Sarita, quero dizer que me sinto realizada por chegar aqui aonde cheguei, apesar de, mas, principalmente, por causa dos contratempos de uma vida que busquei e consegui fazer valer à pena.

Ao me colocar publicamente, tenho a pretensão de instigar os meus iguais a buscarem fazer de cada história um exemplo de superação, perseverança e, acima de tudo, uma conquista perene de espaços em todos os campos em que nos permitimos existir. Isto sim. É a realização dos meus grandes e possíveis sonhos.


UM E-BOOK GRATUITOS PARA BAIXAR

UM E-BOOK GRATUITO PARA BAIXAR!

COLETÂNEA DE ENTREVISTAS E ARTIGOS SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL

Minhas principais entrevistas e artigos científicos sobre Educação Inclusiva, pessoas com deficiência e superação publicadas nos últimos quatro anos. Esse material você poderá utilizar livremente como conteúdo bibliográfico em seu trabalho. E ao final de cada uma eu coloco o modo certo de referenciá-las.

CADASTRE E BAIXE O SEU GRATUITAMENTE CLICANDO AQUI

Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista e teólogo. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais. Ator e autor de teatro. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

3 comentários

  1. Muito boa entrevista. Gostaria de parabenizar a professora Sarita. Também dou aula de música para pessoas com algum grau de surdez, tenho inclusive um aluno com surdez profunda que toca muito bem a flauta transversal, um instrumento de difícil produção de som para pessoas surdas. A diferença para a professora Sarita é que sou ouvinte. Mas tenho aprendido muito com pessoas como ela, ainda mais porque há muito poucos materiais publicados. Parabéns!
    Paulo Mariano
    https://www.facebook.com/Musicabhsurdos

  2. Sarita Araujo Pereira

    Olá Paulo Mariano, bom saber do seu trabalho com os alunos Surdos, principalmente na área de flauta transversal, o que é realmente o instrumento de difícil produção, digo isso, pois temos um aluno que está aprendendo no Saxofone do mesmo conservatório onde trabalho,pois o professor dele, diz que em termos de desenvolvimento com intensidade requer muito paciência e treinamento. Sobre material , temos o Glossário Musical em Língua Brasileira de Sinais-Libras (2010), se você interessar pode entrar em contato com a dorcelita@gmail.com ou dorcelita@hotmail.com, ela é ia minha intérprete de Libras.Quero agradecer o seu elogio pelo meu trabalho.
    Sarita Araujo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*